segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Ela respira fundo e aperta o botão.

Todas as decisões que Ela toma na vida passam por um processo quase que burocrático. Logo Ela, que enche a boca pra dizer que não suporta uma “vidinha burocrática”. Quando o pensamento chega a sua mente, Ela imediatamente passa para um pedaço de papel que fica esquecido no canto do quarto e nem sempre são verbalizados. É um exercício que Ela gosta de fazer desde criança, sempre fascinada por listas, cadernos, diários etc. Ela adorava colocar tudo numa folha, fazer um passo a passo de sua vida e isso também serve para as tomadas de decisões.

Como essa ânsia é constante em sua vida, imaginem a quantidade de manuscritos que Ela possui. Talvez esses dados, informações e pensamentos sejam transformados num livro de crônicas (isto é o item nº6 do planejamento anual engavetado desde 2010).

E um belo dia, invadida por um sentimento estranho, Ela decidi colocar um ponto final numa história meio doida (porém encantadora). Sei lá, é preciso virar a página para ler o final do livro, não é mesmo?! E como dizia uma de suas gurus, Martha Medeiros: "deixemos de lado o zelo excessivo por coisas que foram feitas apenas para se usar, e não para se amar. Hoje me desfaço com facilidade de objetos, enquanto que se torna cada vez mais difícil me afastar de pessoas que são ou foram importantes, não importa o tempo que estiveram presentes na minha vida”. É um exercício árduo esconder pessoas no fundo do baú da memória.

Ela sebe que pode ser louca essa coisa de escrever as decisões, mas quando o faz, Ela fica relendo por dias antes de agir. Na verdade, o que Ela quer mesmo é conversar, verbalizar. Ela sente uma necessidade visceral de dizer "tudo que se passa na cabeça" e como no Facebook, não é possível se fazer entender com apenas 420 caracteres limitadores. Ou sei lá, talvez não seja tão importante. Talvez isso nem faça muito sentido pra alguns, mas pra Ela é fundamental falar e escrever. 

Por um bom tempo Ela pensou que pudesse conviver bem com a situação de ter alguém esporadicamente, ou até tentar ser amigo de alguém com quem Ela já teve um lance legal. E de repente Ela se conta que não é tão fácil assim. A ficha só cai quando você percebe o quão complicado é descobrir que gosta de alguém. 

Esse sentimento começa a deixá-la confusa, perdida, mexida e tudo mais que vocês possam imaginar. Ela começa a viajar nas emoções, fica triste, sente saudade, vontade de ligar, mas Ela tem a consciência que isso não é o melhor caminho. Por que nem todas as pessoas estão ‘available’, ou melhor rs, estão ‘out of service’?!

Então, Ela respira e decide fazer um detox para tirá-lo da cabeça e acaba tomando atitudes drásticas. Literalmente, Ela deleta a pessoa de tudo! Chega de Facebook, Skype, foto, música, cheiro... talvez esse seja a atitude mais simples, porque o foda mesmo é livrar-se dos pensamentos. Que raiva, Ela pensa - "afinal todos os momentos foram tão mágicos, porra". E quase como uma súplica, Ela respira fundo e diz - “eu vou te jogar num pano de guardar confetes, babaca”! E como num passe de mágica do simples apertar do botão, o cara ideal se transforma no cara mais FDP do mundo. Rápido, não?! De repente Ela paralisa e fica tentando encontrar os "tais sinais de Deus", como quem se esforça para se redimir da culpa. 

Como toda mulher cismada, apaixonada, encantada, aquele sentimento ainda sem definição martela em sua cabeça e revirando as lembranças que Ela não consegue deletar da mente, acaba encontrando o que eu não deveria. Isso a deixa tonta, desnorteada, paralisada e Ela sente que explodir. "Merda, apertaram o botão que detona a minha bomba". A única saída é acabar com tudo. Mas tudo o que? Cansada de tanto chorar, Ela decide dar uma nova chance ao seu coração, mesmo sabendo que ele é teimoso, rs! Ela não dorme à noite, tem uma DR com Deus e acaba pegando no sono apenas quando o dia amanhece. 

Ela acorda com aquela cara de panda e decidida a colocar um ponto final nessa agonia. Aha! Mas Deus é brincalhão e manda mais um sinal: Levanta e vai assistir um filme. Ela se entrega ao Nadismo e passa a sua tarde de domingo assistindo seu filme predileto (o mesmo filme que Ela e o cara assistiram juntinhos) e de repente tem um insightlevanta da cama e resolve escrever um email. Ela fica 20 minutos para  clicar no botão de enviar. Pronto, acabou! Quem dera que a mente humana tivesse um botão para deletar, excluir, desfazer amizade!

A propósito, o filme é ‘O Pequeno Príncipe’. Talvez as pessoas não entendam a magia dessa obra de arte. E para finalizar o desabafo, Ela te pergunta: E se a sua vida fosse como neste filme, quem seria a Raposa e quem seria o príncipe?